As Veias Abertas da América Latina: Um Tratado de Direito Internacional?

O livro “As veias abertas da América Latina” foi escrito por Eduardo Galeano e publicado no ano de 1971. Desde então, foi traduzido para os principais idiomas do planeta e passou a ser considerado um dos livros mais importantes já escrito por um latino-americano. A obra examinou a formação da América Latina desde a invasão europeia até a contemporaneidade, explicando assim os motivos para o subdesenvolvimento da região. Conforme as palavras do escritor, a pretensão era dialogar com as pessoas acerca de fatos que a história “oficial” - aquela contada pelos vencedores - omite ou mente. Trata-se de um livro não especializado, no qual o mote principal é falar livremente sobre a história e a geopolítica latino-americana, todavia empregando um estilo não científico, não acadêmico e bastante pessoal. As veias abertas possui uma conexão inegável com a sociedade internacional. Para tanto, basta perceber que vários preceitos de Direito Internacional estão representados no transcorrer do livro, especialmente a noção de soberania, o dever de igualdade entre os Estados e a não intervenção nos assuntos domésticos dos países. Todos significam princípios norteadores do Direito Internacional que encontram respaldo nos mais célebres tratados internacionais. Entretanto, o olhar crítico empregado na obra constrói uma percepção de que a América Latina sempre foi alvo de uma permanente ingerência estrangeira, primeiro no período colonial e depois no período pós-colonial. Dito de outra forma, o livro denota um descompasso entre a situação latino-americana e os preceitos de Direito Internacional, mostra que a paz, a cooperação e o respeito aos direitos humanos não são realidades alcançadas na região mais ao sul do continente americano.