A Democracia e os Jogos de Linguagem em René Magritte

O artista plástico belga René Magritte uma dia disse: “Um título legitima um quadro completando-o”. Pois bem, no seu quadro intitulado “A Traição das Imagens”, Magritte levou tal assertiva até a última consequência. Primeiro ele retrata indubitavelmente um cachimbo e, em seguida, escreve abaixo da figura: “Isto não é um cachimbo”. Desta forma, o artista lembra ao seu público que a linguagem pode ser traiçoeira. Isto é, cria-se um contrassenso proposital entre imagem e texto que para haja uma reflexão sobre as formas de representação da realidade. Afinal, um quadro somente pode representar um cachimbo e nunca poderá ser o próprio cachimbo. Interessante perceber que o mesmo método foi utilizou por José Saramago para escrever “Democracia e Universidade”. Neste livro, Saramago expõe ideias sobre educação e defende que as universidades possuem um efeito civilizatório para a humanidade. É de se destacar o zelo saramaguiano com a questão linguística, pois trata de diferenciar a realidade das representações, especialmente ao conceituar educação, democracia e universidade.