Ofensas aos Direitos Humanos e A Guernica

A Guernica de Pablo Picasso não é uma obra de arte fácil de encarar, seja ao vivo ou por foto. Trata-se de um mural enorme de 349,3cm por 776,6cm, todo monocromático em tons de cinza, preto e branco. O quadro transmite uma mistura de dor, desespero e morte, onde parece que tudo está desmoronando ou derretendo e que não há esperança no futuro. Com a tela Picasso quis deixar claro que não há nada de belo ou de bom que possa surgir da Guerra e ele conseguiu tal objetivo ao representar em suas pinceladas os horrores do bombardeio alemão ocorrido no contexto da 2ª Guerra Mundial na cidade basca de Guernica, norte da Espanha, no ano de 1937. As barbáries cometidas no escopo na 2ª Guerra, especialmente Guernica, acabaram por influenciar toda uma geração de pensador@s que buscaram entender como a humanidade, moralmente, desceu a níveis tão baixos de respeito à vida durante tal período. Uma das mais destacadas figuras, certamente, foi a filósofa política Hannah Arendt. É no livro “Eichmann em Jerusalém” que ela desenvolve a sua fundamentação acerca da banalização do mal e de como tal aspecto representa uma ameaça à democracia.